Verificado e baseado em evidências Revisto por veterinários

Os Cães podem comer Nozes?

Atualizado Jul 2026
Dar com cuidado

Evite dar nozes ao seu cão — o risco não vale a pena

As nozes combinam vários perigos distintos: a juglona das nozes negras é neurotóxica mesmo em pequenas quantidades, as micotoxinas tremorígenas (Penicillium spp.) que colonizam facilmente as nozes podem causar tremores e convulsões graves, e o perfil lipídico elevado desencadeia pancreatite aguda em cães predispostos. Ao contrário de outros frutos secos, não existe uma dose segura estabelecida para as nozes negras, e até as nozes comuns carregam risco suficiente para justificar a sua exclusão da dieta canina. Se o seu cão ingeriu nozes — mesmo uma única — contacte imediatamente o médico veterinário.

Gravidade
Alto
Dose tóxica
≥1 noz negra já é perigoso
Tempo de início
30 min – 6 horas
Tratamento
Indução de vómito + suporte
Alimentar com responsabilidade

A moderação é fundamental

Nozes só deve ser oferecido aos cães em quantidades pequenas e pouco frequentes. Siga as orientações de servir em segurança e observe atentamente qualquer reação adversa.

Por que razão as nozes são perigosas para os cães?

Nozes

Nozes — cães.

O perigo das nozes para os cães é multifatorial, o que as torna particularmente traiçoeiras. As nozes negras (Juglans nigra), menos comuns nas prateleiras portuguesas mas presentes em árvores ornamentais e importações, contêm juglona — um naftoquinona com propriedades neurotóxicas e citotóxicas documentadas. Nos cães, a juglona interfere com a função mitocondrial nas células nervosas, podendo causar fraqueza muscular progressiva, ataxia e, nos casos mais graves, crises convulsivas. A dose capaz de desencadear sintomas neurológicos relevantes pode ser equivalente a uma única noz de tamanho médio.

As nozes comuns (Juglans regia), aquelas que habitualmente encontramos nos supermercados portugueses, são menos tóxicas no que respeita à juglona, mas apresentam dois riscos sérios por si só. O primeiro é o elevado teor de gordura — uma única noz pode ter entre 3 a 4 g de gordura —, suficiente para sobrecarregar o pâncreas de cães suscetíveis e desencadear pancreatite aguda, uma condição dolorosa e potencialmente fatal. O segundo risco, e frequentemente subestimado pelos tutores, é a contaminação fúngica: as nozes (sobretudo as que caem ao chão em ambiente doméstico ou jardins) são substrato ideal para Penicillium crustosum e outros fungos produtores de penitrems e roquefortinas — micotoxinas tremorígenas que, mesmo em quantidades miligrâmicas, provocam tremores musculares violentos e convulsões nos cães, por vezes com risco de vida. Um cão que encontre nozes velhas ou mofadas no jardim está em perigo imediato.

⚠️ Atenção às nozes mofadas

Nozes caídas ao chão ou com qualquer sinal de bolor são especialmente perigosas — as micotoxinas tremorígenas produzidas por fungos podem causar convulsões em menos de uma hora. Retire sempre do alcance do cão e não subestime a gravidade da exposição.

Sintomas e cronologia

Sintomas neurológicos (juglona / micotoxinas)
  • Tremores musculares generalizados
  • Convulsões
  • Ataxia (andar cambaleante)
  • Fraqueza dos membros posteriores
  • Hipersalivação
  • Nistagmo (movimentos oculares involuntários)
Ver todos os alimentos que causam estes sintomas
Sintomas gastrointestinais (gordura / irritação)
  • Vómitos
  • Diarreia (por vezes hemorrágica)
  • Dor abdominal à palpação
  • Anorexia
  • Prostração e letargia
Ver todos os alimentos que causam estes sintomas
Sinais de pancreatite aguda
  • Postura em 'oração' (dorso arqueado, quartos traseiros elevados)
  • Distensão abdominal
  • Febre
  • Desidratação
  • Icterícia (casos graves)
Ver todos os alimentos que causam estes sintomas

Dose e gravidade

Não existe um limiar seguro estabelecido para as nozes em cães. A tabela abaixo ilustra o perfil de risco conforme o tipo de noz e a quantidade ingerida — serve apenas como orientação clínica, não como permissão para oferecer qualquer quantidade.

Noz negra (Juglans nigra)
Qualquer quantidade
1 noz = emergência
Juglona neurotóxica; risco elevado mesmo com meia noz
Noz comum mofada ou velha
Qualquer quantidade
Risco máximo
Micotoxinas tremorígenas presentes; convulsões em 30-60 min
Noz comum fresca — cão pequeno (<10 kg)
≥1 noz inteira
Alto risco
Gordura elevada → pancreatite; risco neurológico não excluído
Noz comum fresca — cão médio (10–25 kg)
1–2 nozes
Risco moderado-alto
Pancreatite possível; observe de perto e consulte o veterinário
Fragmento acidental — cão grande (>25 kg)
< ¼ noz, uma vez
Risco baixo-moderado
Monitorize; qualquer sintoma exige avaliação imediata

O que fazer se o seu cão comeu nozes

  1. 1

    Não espere por sintomas. A ausência de sinais nas primeiras horas não significa segurança — algumas toxinas têm período de latência variável. Aja de imediato.

  2. 2

    Contacte o seu veterinário ou linha de emergência agora. Informe o tipo de noz (negra ou comum), a quantidade estimada, o peso do cão e há quanto tempo foi a ingestão. Em Portugal, o CIAV (Centro de Informação Antivenenos) atende no 808 250 143.

  3. 3

    Indução de vómito — apenas sob orientação clínica. Nunca induza o vómito por iniciativa própria; pode ser contraindicado se o cão já mostrar tremores ou alteração de consciência. O veterinário decidirá se é seguro e adequado.

  4. 4

    Leve a embalagem ou uma amostra da noz. Saber se era noz negra, noz comum, crua, salgada ou com indícios de bolor ajuda o clínico a escolher o protocolo correto e a antecipar complicações.

  5. 5

    Em clínica: prepare-se para monitorização prolongada. O tratamento pode incluir carvão ativado, fluidoterapia IV, anticonvulsivantes (diazepam ou fenobarbital) e, nos casos de pancreatite, analgesia e suporte nutricional. Internamento de 24–48 h é frequente.

  6. 6

    Prevenção futura. Se tem nogueiras no jardim ou vizinhança, certifique-se de que o cão não tem acesso às nozes caídas — especialmente as que ficam no chão dias seguidos, onde o risco de fungos é muito mais elevado.

Alternativas seguras

Se quer oferecer snacks naturais e seguros ao seu cão, há opções muito melhores do que as nozes.

Castanha cozida (sem sal)

Fruto popular em Portugal, seguro em pequenas quantidades, baixo teor de gordura e sem compostos tóxicos conhecidos para cães

Cenoura crua

Excelente snack de baixas calorias, promove a saúde dentária e é completamente segura para cães em qualquer quantidade razoável

Maçã (sem sementes nem caroço)

Rica em fibra e vitamina C, adorada pela maioria dos cães; remova sempre as sementes que contêm amigdalina

Pepino fresco

Altamente hidratante, muito baixo em calorias e gordura, ideal para cães com excesso de peso ou pancreatite em recuperação

Amendoim natural (sem sal, sem xilitol)

Em quantidade moderada, o amendoim simples é geralmente seguro; verifique SEMPRE o rótulo para excluir xilitol, que é fatal para cães

Perguntas frequentes

O meu cão comeu uma noz comum do supermercado e parece bem. Preciso mesmo de ir ao veterinário?
Sim, especialmente se o cão for de porte pequeno ou médio, ou se a noz estiver salgada, com bolor ou for de proveniência desconhecida. Os sinais de pancreatite podem demorar 12 a 24 horas a manifestar-se, e as micotoxinas podem estar presentes mesmo sem bolor visível a olho nu. Uma chamada ao veterinário — ou ao CIAV (808 250 143) — para avaliar o risco específico é sempre a decisão mais segura.
Qual é a diferença entre noz comum e noz negra no que toca ao perigo para os cães?
A noz negra (Juglans nigra) é significativamente mais perigosa porque contém concentrações elevadas de juglona, um composto neurotóxico que pode causar convulsões e danos neurológicos graves com doses muito pequenas — eventualmente uma única noz. A noz comum (Juglans regia), a que habitualmente se vende em Portugal, tem teores de juglona muito inferiores, mas continua a ser perigosa pelo alto teor de gordura (risco de pancreatite) e pela suscetibilidade à contaminação por fungos produtores de micotoxinas tremorígenas.
O meu cão comeu nozes mofadas que estavam no jardim. O que devo fazer imediatamente?
Dirija-se a uma clínica veterinária de urgência sem demora — não espere que apareçam sintomas. As micotoxinas tremorígenas (principalmente penitrems e roquefortinas) podem desencadear tremores musculares violentos e convulsões em 30 a 60 minutos após a ingestão. O tratamento precoce com indução de vómito controlada e carvão ativado pode fazer a diferença entre um caso ligeiro e uma emergência neurológica grave. Leve consigo, se possível, uma amostra das nozes ingeridas.
As nozes de outros tipos — como a noz-pecã ou a noz-macadâmia — são igualmente perigosas para os cães?
Cada espécie tem o seu perfil de risco. A noz-macadâmia é considerada tóxica para cães por mecanismo ainda não totalmente esclarecido, causando fraqueza, hipertermia e tremores, e deve ser evitada por completo. A noz-pecã partilha riscos semelhantes às nozes comuns — alto teor de gordura e suscetibilidade a micotoxinas — e também não é recomendada. Em geral, a regra mais segura é não oferecer qualquer tipo de noz aos cães, uma vez que os riscos superam largamente qualquer eventual benefício nutricional.

Fontes e referências

  1. ASPCA Animal Poison Control Center — Walnut toxicity in dogs, ASPCA Professional toxic plant and food database
  2. Merck Veterinary Manual — Mycotoxicosis: Tremorgenic mycotoxins (penitrem A, roquefortine), clinical signs and treatment in small animals
  3. Gwaltney-Brant S, et al. (2018). 'Food hazards for pets.' In: Veterinary Toxicology: Basic and Clinical Principles, 3rd ed., Academic Press
  4. Pet Poison Helpline — Walnuts and dogs: black walnut vs. English walnut toxicity overview
Dra. Carmen Ortega

Sobre a autora: Dra. Carmen Ortega

Nutricionista veterinária

Diplomada em nutrição veterinária focada em dietas adequadas a cada espécie e alimentação preventiva, autora principal da nossa orientação dietética.

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